3 meses

Fizeste 3 meses na sexta-feira. Vou-me repetir, mas não dei pelo tempo passar, apesar de te ter aproveitado sempre o que pude. Com dois bebés toda a logística e tempo têm que se adaptar mas acho que já chegámos a um bom ponto de equilíbrio. As rotinas estão controladas e, apesar de sentir que tenho pouco tempo, tenho conseguido aproveitar as minhas índias. O blog tem ficado para trás e a prova é que já devia ter escrito este texto na sexta mas não consegui. Mas não queria deixar de o fazer. Escrevo para não esquecer :)

Mini índia,

És uma nenuca, carequinha e perfeitinha. A tua irmã às vezes chama-te ‘miminho’ e eu adoro. Olhos escuros, já se vê bem, mas o cabelo não consigo ter bem a certeza (embora não sejas loira óbvia!). Adoras conversa e companhia. Gostas de colo e mimo mas adormeces muito melhor na cama ou na espreguiçadeira. Dormes lindamente mas não comes assim tão bem. Ris para toda a gente, és uma bem disposta. Adoro quando estás a mamar a olhar para mim e te ris, temos uma cumplicidade só nossa. Adoras o banho e passear na rua. Não gostas de estar de barriga para baixo. Já começas a pegar nas coisas e és sempre muito atenta. Não gostas do pano nem do sling. Adoras trocar a fralda. Durante o dia dormes sestas muito curtas, como diz uma amiga, são power naps. Falas imenso e chamas a atenção com gritinhos. Gostas de massagens nos pés e detestas limpar os ouvidos e de creme na cara. Tens refegos que dão vontade de comer. Sou uma sortuda! Obrigada minha querida mini índia, és o meu amor pequenino <3

Carminho para LW-1

#1 Histórias de uma índia

E hoje lanço uma nova rubrica no blog. As histórias desta índia. Tudo para não esquecer :)

Foi com este teu ar traquina que hoje de manhã pediste uma banana. Depois de já teres bebido leite com cerelac, comido pão com doce e uvas o pai disse que não (parece que andas rota!). Desde uso à nossa educação para o desembaraço e autonomia e à tua agilidade sem igual, arrastaste um banco, foste à bancada buscar uma banana e quando demos conta já a tinhas descascado e estavas a por a casca no lixo! Só prova que quando queres uma coisa não desistes e que a altura de uma bancada e uma casca não são entrave, são uma boa desculpa para pores o teu espirito desafiador e desembaraçado em prática. Como não estávamos à espera não conseguimos ralhar até porque fizeste questão de explicar muito bem o que tinha acontecido com a expressividade e naturalidade que tão bem te assentam :)
E viva a autonomia!

Manas jardim Cascais (pf)-3

42 / 52 (2016)

Ás vezes deixas-me de cabelos em pé e com as emoções de pernas para o ar. Ainda assim, és a miúda mais espectacular dom mundo! Amo-te minha índia <342_52_2016_Clara-1

Estás sempre a rir!

42_52_2016_Minho-1

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

41 / 52 (2016)

És uma aventureira e não tarda bem sei que me vais começar a trepar às árvores!41_52_2016_Clara

Esta cara de anjo não engana, és realmente tranquila, mas quando abres as goelas ouve-se a kilometros! Vamos ver se vais (ou melhor quando vais) virar pestinha!!!
41_52_2016_Minho

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

O primeiro dia

Clara-1

O primeiro dia de escola foi na quinta-feira passada. Já tinha combinado com a educadora que ía fazer uma adaptação gradual, ao ritmo da Clara. Tenho a sorte de conseguir ter essa disponibilidade e, no meio de tanta mudança, para ela, parece-me ser o mais sensato.

Ora na quinta-feira acordámos e ela estava bastante feliz de ir para a escola (já lá tinha estado um dia a brincar e adorou). Já a chegar à escola, ainda no carro, vomitou o leite todo da manhã. Ficou muito aflita, nunca tinha vomitado na vida. Ficou enojada e muito assustada. No meio da rua, semi nua, tentei acalmá-la. Vestimos apenas um casaco que tinha no carro e subimos para a escola. Fomos à casa de banho, limpar tudo e vestir uma roupa lavada. Começou tudo mal, e neste dia o ditado funcionou muito bem: o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Entrámos na sala e ela ainda ficou um bocadinho agarrada à minha perna, mas aos poucos lá foi perdendo a timidez (que não é nada dela) e libertou-se das minhas saias. Ficou bem, estive lá com ela na sala só a observar durante a manhã. O bocadinho que saí para ir à secretaria ela ficou na maior. Apesar disso, viemos embora e eu estava de coração apertado. Não tinha a certeza que se tinham criado os laços mínimos entre nós e a educadora. Não percebi pelos sinais dela se tinha corrido bem ou não naquela cabecinha. Confesso, saí angustiada e isso transtornou-me um pouco. Apesar disso, sabia que o início atribulado não tinha ajudado nada a que tudo corresse com normalidade.

Em casa esperava-me um frigorífico que não funcionava e a combinação de que me iriam levar um de substituição enquanto arranjavam este. Assim foi. O difícil foi, mesmo deitando fora o que já estava estragado, enfiar o rossio na rua da betesga! As coisas bem acomodadas lá couberam no frigorífico novo. Frigorífico este que para o fim da tarde percebemos que também não funcionava. Dois bebés em casa (cada uma a gritar para seu lado), uma manhã emocionalmente difícil, uma reunião que não podia faltar na casa nova e um frigorífico cheio sem funcionar! Caos! Sou uma pessoa muito organizada, metódica e controladora. Este dia estava claramente a fugir ao meu controle e eu com a cabeça em água!

Relativizei: amanhã será um dia melhor na escola (o vómito foi só uma má disposição ela não está doente e isso é que é importante!). A comida que tiver que ir para o lixo vai, paciência, custa, não há nada que possa fazer. A reunião na obra vai correr bem porque não vemos a hora de mudar de casa. As miúdas vão acalmar assim que sairmos de casa! Bora lá!

Chegámos à obra para a reunião e não tínhamos chave. Volta para trás, volta para a frente. O cansaço acumula. A reunião correu bem, felizmente e a nossa casa está a ficar perfeita! Cheguei à cama com a sensação de que um camião tinha passado por cima de mim. A minha cabeça não conseguia pensar e a minha alma estava derrotada e angustiada. Dormi.

Sexta tudo se compôs! Acordei mais serena e com a cabeça limpa (vale-me a Carminho que já dorme as noites todas e me deixa descansar). Tinha a certeza que o melhor era esquecer o dia anterior e aceitar este dia como o primeiro dia de escola da Clara. Um novo começo! Em modo restart lá fomos felizes.

Entrámos e ela tirou logo os sapatos no recreio para brincar na areia e ficou entretida com os outros meninos e com a educadora que a recebeu com um grande sorriso e foi brincar também para o chão. Passado um bocadinho decidi ir ao café. Voltei 1 hora depois e ela estava na maior, super integrada na sala. Enchi-me de orgulho! Relato da educadora: miúda super despachada, super faladora (e percebe-se muito bem tudo o que diz), entendeu muito bem as regras e rotinas e seguiu sempre bem o grupo, muito dona do seu nariz. Sabe bem o que quer e não se deixa ficar. Nunca chamou por mim e esteve sempre na maior! Pronto, esta mãe galinha babou!!! Rebentei de orgulho e paixão. Esta miúda é de facto muito especial, está sempre a surpreender e dá-me grandes lições.  Gostou tanto que não se queria vir embora. Veio ao meu colo a mandar beijinhos e sorrisos a toda a gente, feliz da vida. E eu claro, mais feliz ainda, de coração tranquilo. Na próxima semana veremos se a adaptação continua assim fácil ou se haverá uns choros pelo meio. Aquilo que sei é que estou sempre aqui para ela, para que tudo corra ao ritmo dela para que nunca perca a espontaneidade, a confiança e o desembaraço que tão bem a caracterizam.

Entretanto o frigorífico de substituição tinha um botão partido que foi arranjado e já funciona! E mais uma vez o ditado que cola na perfeição: Tudo está bem quando acaba bem:)

39 / 52 (2016)

Não tenho palavras.

39_52_2016_Clara

Agora que começa a estar mais acordada prometo que começo a por mais fotos de olhos abertos. Mas esta serenidade a dormir encanta e deslumbra!

39_52_2016_Minho

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

Dois meses

Quando soube que crescias dentro de mim tive muitos medos. Medo de não ser capaz de ser mãe de dois bebés. Medo da reacção da tua irmã mais velha. Medo de não gostar tanto de ti como gosto dela. Medo inclusivé de não sobreviver a uma vida com dois bebés e com toda a responsabilidade que isso acarreta. As hormonas fizeram o seu papel e apaziguaram os medos. Alguns ainda estão lá e possivelmente nunca vão desaparecer (mas controlados), a fazerem o seu papel na nossa vida. Hoje sei que te amo tanto como amo a tua irmã. Parecia impossível que fosse acontecer mas foi assim, o amor multiplicou-se e isso é das coisas mais fascinantes que já vivi. Não te dou a atenção que gostaria e o maior desafio é mesmo conseguir repartir-me entre as duas.

Fazes hoje dois meses. A maior diferença que sinto dos teus primeiros dois meses para os da tua irmã é a rapidez com que passaram. A ela namorei-a sozinha, com calma , com tempo. A ti namoro-te em intervalos curtos e nos entretantos do vosso namoro de irmãs. Ao mesmo tempo sinto que já nada faria sentido sem a tua existência. Sinto que estamos todos mais completos e que te conheço muito bem. Agora que a tua irmã vai para a escola vai ser mais fácil namorar-te a ti e a ela em tempos diferentes com compassos próprios. Vai-nos fazer bem a todos :)
Resumindo estes últimos dois meses, és uma texuguinha, soris muito, és tranquila e adoras mimo. Já me deixas dormir 6h de noite e mamas no máximo em 10 minutos. Adormeces sozinha na tua cama à noite mas durante o dia adoras o embalo da rua ou o som do meu coração. És muito branquinha e meia loira mas pestanas e sobrancelhas, pareces um nenuco! Gostas de dormir no swadle mas sempre com os braços de fora (e não foi fácil perceber que não gostavas de ter os bracos presos, ainda andámos em guerra!). Aguentas que nem uma valente os mimos fortes e os abracinhos pesados da tua irmã, e mesmo com tantos apertões,  soris imenso para ela. Precisas da chucha mas não a adoras e és muito esquisita com os modelos que pegas bem. Choras bem alto quando tens fome ou queres mimo, já sabes muito bem fazer-te ouvir apesar de seres a casula. És a minha mini índia e eu adorava que o tempo andasse mais devagar para vos poder aproveitar ainda mais, cada uma de vocês, devagarinho. Saborear, cheirar e olhar, como se da prova do melhor vinho se tratasse! Vocês são sem dúvida a minha melhor colheita, trazem o melhor de mim. Obrigada minhas índias <3

Minho parque marechal carmona (pf)-10