Ingrata

As minhas duas filhas desde sempre que são “só mãe”. A mãe é que faz TUDO: a mãe veste, a mãe dá a comida, a mãe dá colo, a mãe vai à casa de banho, a mãe dá banho etc, etc, etc… Isto é tão absorvente e asfixiante como prazeroso e gratificante. Esta coisa da maternidade (e das hormonas) consegue ser antagónica e muito pouco coerente. Mas também acho que é isso que lhe dá graça. Eu já sei que normalmente as meninas são dos papás. Mas cá em casa nunca foi assim (felizmente para o meu coração de mãe super galinha!). Não estou preparada para que isso mude, nem pensei muito no assunto, mas confesso que desde há dois dias para cá que estou com medo… Pois bem, tudo isto aconteceu quando o paizinho foi á escola tocar guitarra para os amigos. Tornou-se rei e senhor! E eu claro, destroçada e incrédula (até levei com um “não gosto de ti” no carro que me deixou de lágrima no olho).

Tanta ingratidão junta num ser tão pequenino?! Muda assim a agulha das preferências sem aviso prévio nem carta registada?! Não estou preparada. Primeiro pensamento: tenho que ir à escola fazer qualquer coisa! Segundo seguinte: ok, escusas de ser tão ridícula! Parece que a coisa apaziguou, vamos lá ver quais serão as cenas dos próximos episódios. Vale-me a mais nova que continua a não sair do meu colo para o de ninguém (nem para o do pai, muitas vezes), que chora sempre que saio de casa e que se desfaz-se em sorrisos e atira logo os braços mal me vê (apesar de ainda não dizer “mamã”).

 

Pascoa no Paul (pf)-9

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