O primeiro dia

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O primeiro dia de escola foi na quinta-feira passada. Já tinha combinado com a educadora que ía fazer uma adaptação gradual, ao ritmo da Clara. Tenho a sorte de conseguir ter essa disponibilidade e, no meio de tanta mudança, para ela, parece-me ser o mais sensato.

Ora na quinta-feira acordámos e ela estava bastante feliz de ir para a escola (já lá tinha estado um dia a brincar e adorou). Já a chegar à escola, ainda no carro, vomitou o leite todo da manhã. Ficou muito aflita, nunca tinha vomitado na vida. Ficou enojada e muito assustada. No meio da rua, semi nua, tentei acalmá-la. Vestimos apenas um casaco que tinha no carro e subimos para a escola. Fomos à casa de banho, limpar tudo e vestir uma roupa lavada. Começou tudo mal, e neste dia o ditado funcionou muito bem: o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Entrámos na sala e ela ainda ficou um bocadinho agarrada à minha perna, mas aos poucos lá foi perdendo a timidez (que não é nada dela) e libertou-se das minhas saias. Ficou bem, estive lá com ela na sala só a observar durante a manhã. O bocadinho que saí para ir à secretaria ela ficou na maior. Apesar disso, viemos embora e eu estava de coração apertado. Não tinha a certeza que se tinham criado os laços mínimos entre nós e a educadora. Não percebi pelos sinais dela se tinha corrido bem ou não naquela cabecinha. Confesso, saí angustiada e isso transtornou-me um pouco. Apesar disso, sabia que o início atribulado não tinha ajudado nada a que tudo corresse com normalidade.

Em casa esperava-me um frigorífico que não funcionava e a combinação de que me iriam levar um de substituição enquanto arranjavam este. Assim foi. O difícil foi, mesmo deitando fora o que já estava estragado, enfiar o rossio na rua da betesga! As coisas bem acomodadas lá couberam no frigorífico novo. Frigorífico este que para o fim da tarde percebemos que também não funcionava. Dois bebés em casa (cada uma a gritar para seu lado), uma manhã emocionalmente difícil, uma reunião que não podia faltar na casa nova e um frigorífico cheio sem funcionar! Caos! Sou uma pessoa muito organizada, metódica e controladora. Este dia estava claramente a fugir ao meu controle e eu com a cabeça em água!

Relativizei: amanhã será um dia melhor na escola (o vómito foi só uma má disposição ela não está doente e isso é que é importante!). A comida que tiver que ir para o lixo vai, paciência, custa, não há nada que possa fazer. A reunião na obra vai correr bem porque não vemos a hora de mudar de casa. As miúdas vão acalmar assim que sairmos de casa! Bora lá!

Chegámos à obra para a reunião e não tínhamos chave. Volta para trás, volta para a frente. O cansaço acumula. A reunião correu bem, felizmente e a nossa casa está a ficar perfeita! Cheguei à cama com a sensação de que um camião tinha passado por cima de mim. A minha cabeça não conseguia pensar e a minha alma estava derrotada e angustiada. Dormi.

Sexta tudo se compôs! Acordei mais serena e com a cabeça limpa (vale-me a Carminho que já dorme as noites todas e me deixa descansar). Tinha a certeza que o melhor era esquecer o dia anterior e aceitar este dia como o primeiro dia de escola da Clara. Um novo começo! Em modo restart lá fomos felizes.

Entrámos e ela tirou logo os sapatos no recreio para brincar na areia e ficou entretida com os outros meninos e com a educadora que a recebeu com um grande sorriso e foi brincar também para o chão. Passado um bocadinho decidi ir ao café. Voltei 1 hora depois e ela estava na maior, super integrada na sala. Enchi-me de orgulho! Relato da educadora: miúda super despachada, super faladora (e percebe-se muito bem tudo o que diz), entendeu muito bem as regras e rotinas e seguiu sempre bem o grupo, muito dona do seu nariz. Sabe bem o que quer e não se deixa ficar. Nunca chamou por mim e esteve sempre na maior! Pronto, esta mãe galinha babou!!! Rebentei de orgulho e paixão. Esta miúda é de facto muito especial, está sempre a surpreender e dá-me grandes lições.  Gostou tanto que não se queria vir embora. Veio ao meu colo a mandar beijinhos e sorrisos a toda a gente, feliz da vida. E eu claro, mais feliz ainda, de coração tranquilo. Na próxima semana veremos se a adaptação continua assim fácil ou se haverá uns choros pelo meio. Aquilo que sei é que estou sempre aqui para ela, para que tudo corra ao ritmo dela para que nunca perca a espontaneidade, a confiança e o desembaraço que tão bem a caracterizam.

Entretanto o frigorífico de substituição tinha um botão partido que foi arranjado e já funciona! E mais uma vez o ditado que cola na perfeição: Tudo está bem quando acaba bem:)

Dois meses

Quando soube que crescias dentro de mim tive muitos medos. Medo de não ser capaz de ser mãe de dois bebés. Medo da reacção da tua irmã mais velha. Medo de não gostar tanto de ti como gosto dela. Medo inclusivé de não sobreviver a uma vida com dois bebés e com toda a responsabilidade que isso acarreta. As hormonas fizeram o seu papel e apaziguaram os medos. Alguns ainda estão lá e possivelmente nunca vão desaparecer (mas controlados), a fazerem o seu papel na nossa vida. Hoje sei que te amo tanto como amo a tua irmã. Parecia impossível que fosse acontecer mas foi assim, o amor multiplicou-se e isso é das coisas mais fascinantes que já vivi. Não te dou a atenção que gostaria e o maior desafio é mesmo conseguir repartir-me entre as duas.

Fazes hoje dois meses. A maior diferença que sinto dos teus primeiros dois meses para os da tua irmã é a rapidez com que passaram. A ela namorei-a sozinha, com calma , com tempo. A ti namoro-te em intervalos curtos e nos entretantos do vosso namoro de irmãs. Ao mesmo tempo sinto que já nada faria sentido sem a tua existência. Sinto que estamos todos mais completos e que te conheço muito bem. Agora que a tua irmã vai para a escola vai ser mais fácil namorar-te a ti e a ela em tempos diferentes com compassos próprios. Vai-nos fazer bem a todos :)
Resumindo estes últimos dois meses, és uma texuguinha, soris muito, és tranquila e adoras mimo. Já me deixas dormir 6h de noite e mamas no máximo em 10 minutos. Adormeces sozinha na tua cama à noite mas durante o dia adoras o embalo da rua ou o som do meu coração. És muito branquinha e meia loira mas pestanas e sobrancelhas, pareces um nenuco! Gostas de dormir no swadle mas sempre com os braços de fora (e não foi fácil perceber que não gostavas de ter os bracos presos, ainda andámos em guerra!). Aguentas que nem uma valente os mimos fortes e os abracinhos pesados da tua irmã, e mesmo com tantos apertões,  soris imenso para ela. Precisas da chucha mas não a adoras e és muito esquisita com os modelos que pegas bem. Choras bem alto quando tens fome ou queres mimo, já sabes muito bem fazer-te ouvir apesar de seres a casula. És a minha mini índia e eu adorava que o tempo andasse mais devagar para vos poder aproveitar ainda mais, cada uma de vocês, devagarinho. Saborear, cheirar e olhar, como se da prova do melhor vinho se tratasse! Vocês são sem dúvida a minha melhor colheita, trazem o melhor de mim. Obrigada minhas índias <3

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Intolerâncias

Hoje falo de intolerâncias. O choro e o desconforto da mini índia que nunca achei normal. Um mês e meio de desespero e angústia. Falo desta minha experiência porque podem andar por ai mães com o mesmo cenário, e porque acabou bem!

Começo pela minha tolerância ao choro. É pequena. Não a consigo deixar chorar sobretudo quando percebo que é por um desconforto, por dores, por algo que não está bem. Com tudo isto, a minha tolerância à índia diminui bastante. Está numa fase complicada, de adaptação à irmã, de birras e chamadas de atenção. Mais do que nunca precisa de mim e do meu tempo. Cansada e desgastada pelo choro da mais nova, é quase impossível ter paciência e tempo de qualidade com a mais velha. Revezamo-nos. O pai saí com a mais velha em fico em casa com a mais nova que mama de duas em duas horas. No meio disto, não há escape para mim porque numa hora e meia pouco se pode fazer. Como podem imaginar, com este cenário, cá em casa ninguém está tolerante com ninguém e todos têm razões para isso!

Depois de ter experimentado tudo aquilo de que se fala nos comentários dos grupos de mães para as cólicas e mau estar dos bebés (porque já tínhamos concluído que mimo não era o problema, eram mesmo dores e desconforto) sempre receitado pela pediatra, voltámos a questionar se não haveria mais nada a fazer. Já sei que as cólicas dos bebés são resolvidas por tentativa erro. Há ainda aqueles defensores de que é mesmo assim e com o tempo passa. Passa, mas eu é que não consigo vê-la sofrer assim e não aguento sofrer assim nem fazer sofrer assim a minha familia. Posto isto, havia mais uma gotas, gotas estas que prometiam ser milagrosas (segundo a embalagem). E foram mesmo. São gotas da enzima lactase (a enzima que digere a lactose e que muitos bebés nestas idades não têm capacidade de produzir em quantidade suficiente. Normalmente com o tempo passa, esperemos). Conclusão: A intolerância de toda a família (cada um ao seu jeito) tinha uma justificação, a intolerância à lactose da mini índia!

 

Agora tudo se alinhou, e a família retoma o equilíbrio aos poucos. A mini índia ainda chora, de mimo e de fome (e às vezes de cólicas, mas pouco), é uma bebé exigente. Continua a mamar de duas em duas horas mas eu consigo ter o escape de vir aqui escrever, de editar fotografias ou de passear pelo jardim sem gritos constantes porque ela gosta é de andar na rua. Estamos todos mais tolerantes :)

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coração de mãe

Tenho muita dificuldade em partilhar momentos menos bons. Primeiro porque não me parece que tenha interesse para os leitores e depois porque nessa altura tenho uma necessidade de introspecçao e um certo isolamento. Preciso de estar comigo mesma, sentir, reflectir, chorar. Aos poucos e em certos momentos os problemas relativizam-se na minha cabeça e aos poucos a realidade torna-se mais feliz e calma.
Mas hoje, são 4.30 da manhã e apeteceu-me escrever, partilhar. Partilhar que férias com um recém nascido e um bebé não são pêra doce! A casa onde estamos não tem as melhores condições que ajude à logística de um mergulho de piscina, o que também não facilita!
Ao final de 1 mês de mini índia ainda tenho muito para conhecer e aprender. Sinto que sou mãe de primeira viagem outra vez. Poucas são as coisas que resultavam com a índia que resultam agora. Elas são muito diferentes e têm necessidades muito distintas. Ainda não decifrei ao certo tudo aquilo que a mini índia precisa ou gosta. A única coisa que já percebi é que as rotinas são particularmente importantes e restabelecedoras de paz para ela (e para nós).
Mas aquilo que mais me consome, é que no meio deste conhecimento e aprendizagem mútua, tenho outra bebé em casa, essa sim com necessidades bem definidas e conhecidas mas que muitas vezes não consigo suprir. Fico angústiada, sinto-me pequenina ao pé deste gigantesco mar de emoções que ela sente e revela. Tão depressa dá uma palmada como se derrete em beijinhos e abracinhos. Falta tempo de qualidade (e também quantidade) entre nós. Faltam mais mergulhos de mar como o de outro dia. Mas não consigo porque dou de mamar e nisso, ninguém me pode substituir. Dar de mamar à índia foi muito reconfortante e era um momento de muita cumplicidade entre nós. Desta vez é muito diferente. Por vezes parece só uma prisão que me obriga a mim e só a mim estar presa no tempo e abdicar de tempo com a outra filha, principalmente pela instabilidade de horários a que quer comer. Parece-me a mim que o calor não ajuda a que a fome venha a horas mais certas, mas agora, no meio do verão nada há a fazer. As cólicas (que a índia mal teve) são fortes e diárias. Chora, contorce de dores e eu impotente, muitas vezes sem conseguir ajudar. Só desajudas a que se restabeleça o equilíbrio.
Encontro-me assim nesta dualidade de sensações. Uma bebé maravilhosa para conhecer e apaparicar e uma bebé grande a pedir colo e atenção. É muito difícil estar nos dois lados. É muito difícil não perder a cabeça perante uma birra parva (daquelas que antes não existiam). É muito difícil ter discernimento quando a noite é interrompida por duas e três vezes há um mês.
Viemos de férias mas quem realmente as curte é o pai e a índia. Juntos, constroem memórias e cumplicidades e o meu tempo com ela tem que esperar. Isso parte-me o coração. Vê-los sair juntos, constantemente sem nós, e voltarem de pele salgada e pés cheios de areia e histórias para contar é doloroso. Ampara-me esta angústia a felicidade estampada no rosto de mais uma tarde feliz entre amigos em que aparentemente eu não fiz falta nenhuma. Essa falta só se revela nos abraços prolongados e espontâneos que me dá alternados com raivas e palmadas descarregadas entre mim e a irmã. Ela tem medo que alguma coisa mude (e tanto que já mudou). Dou o meu melhor para lhe amparar este medo e a fazer segura mas há momentos em que não sei se estou a conseguir. As birras intensificam, a desobediência aguça e a doçura multiplica-se. Não há coração de mãe que aguente tamanha disputa!

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Um mergulho de mar

Ontem ao fim do dia fomos a praia com mais um casal amigo com 2 filhas exactamente da mesma idade das nossas (combinado seria impossível!). Nós mães ficámos na esplanada com as bebés e os pais foram para a beira mar com as mais velhas. Às tantas trocámos. Estive 20 min com a índia junto ao mar, brincamos na água e eu dei um mergulho. Aquela água fria no meu corpo inchado do calor foi energizante. Aqueles minutos de brincadeira só nossos, de cumplicidade só nossa foram essenciais à minha sobrevivência. Tinha saudades de brincar só com ela sem mais nada à nossa volta e estava muito sedenta de um banho de mar. É muito engraçado ver e sentir que a chegada da mini índia me aproximou ainda mais da mais velha. Temi que fosse ao contrário, temi que me rejeitasse, que ficasse zangada comigo. Mas não. Esta miúda é de uma sensibilidade e paixão fora de série. Dá-me festinhas e diz “a mãe é tão fofinha” . Dá-me abraços com tanta força e tanto amor que me comove e enche-me de beijinhos. Também tem os seus momentos de raivinha, irritação que vira furacão e leva tudo à frente!
Quando voltámos à esplanada estava instalado o caos no café com dois pais inquietos e duas bebés aos gritos. Entre areia, mochilas, miúdas encharcadas e cheias de energia, mães a dar de mamar e tralha espalhada, já ocupávamos oito mesas. O que vale é que o café estava praticamente por nossa conta!

Foi uma tarde complicada, que se resumiu a 20 minutos de prazer e felicidade suprema! Valeu por isso e temos que repetir melhorando a gestão dos timings das bebés. Estava a precisar tanto, mas tanto de um mergulho de mar como se de ópio se tratasse :)

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um mês de ti

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Meu amor,

Fazes hoje um mês e eu não sei como é possível terem passado 30 dias. Têm sido os dias mais intensos da minha vida e provavelmente por isso não percebo que o tempo não pára. A minha vida praticamente parou. És muito exigente, precisas muito de colo, sofres com calor e com cólicas e tens dificuldade em entrar em sono profundo. Tens uma irmã que ainda é um bebé e que também precisa muito de mim e do meu colo. O maior desafio tem sido gerir as vossas necessidades da melhor maneira. Não sei se o faço bem ou mal, mas sei que dou o melhor de mim. Assim que as noites não forem interrompidas de 3 em 3h e de dia consigas descansar mais profundamente, tenho a certeza que tudo se equilibrará melhor cá em casa!

A tua gravidez aconteceu sem me aperceber muito disso. Passou num ápice e nunca me consegui focar muito nela. Na brincadeira dizia que ias nascer com défice de atenção. Teorias à parte, a verdade é que muitas vezes tenho dificuldade em ir ao encontro das tuas necessidades e não sei muito bem o que fazer. Tens poucos momentos tranquilos a olhar o mundo e confesso que fazem alguma falta. Muita desta inquietude são cólicas o resto não sei. Vou continuar a tentar descodificar-te!

Tens a pele branquinha, pestanas e sobrancelhas loiras, pouco cabelo,  olhos escuros e dedos compridos. És perfeitinha, tens a boca muito desenhada e um olhar forte. Adoro as boquinhas que fazes quando estás tranquila e quando dormes. Choras alto, com vigor e a língua até treme às vezes (não estávamos habituados a isto)! Gostas de música, da espreguiçadeira, de dormir enrolada no swadle e de chucha. Detestas chuchas de silicone, barulhos repentinos e este calor.

A tua irmã adora-te. Diz a toda a hora que és muito fofinha, pega-te ao colo inumeras vezes e dá-te muitas festinhas e beijinhos. Inclui-te em todos os programas com a pergunta: a mana vai?! Ás vezes também tem os seus acessos de raiva e tenta atirar-te com qualquer coisa, roubar a chucha ou dar um festinha bem mais vigorosa. Nunca se vai deitar sem te dar um beijinho de boa noite.

Gostava de te fotografar mais e prometo que vou tentar! És o meu mundo, a mini índia que me completa e, apesar da falta de sono, me faz muito feliz. Parabéns meu amor maior!

Sempre tua,

Mãe.

a primeira pijama party

 

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No fim-de-semana passado fomos jantar a casa de uns grandes amigos. Aqueles com quem costumamos estar todas as semanas e que fazem saudades quando isso não acontece. Aqueles com quem passamos férias. Aqueles cujas filhas já são nossas sobrinhas e primas das nossas filhas. Posto isto, começa a história. No alto dos seus 4 anos acabados de fazer, a sobrinha mais velha (que adora festas) pergunta à prima mais velha (índia claro), se quer lá dormir. Eu, muito atenta, ouvi um não, o que levou à tristeza e desilusão profundas da sobrinha. Depois de mais um bocado de brincadeira (leia-se desarrumação total de um quarto), veio a correr, feliz da vida, a sobrinha mais velha a gritar: a índia disse que queria dormir cá em casa, pode? pode? Eu respondo, com um pequeno nó na garganta (fruto de ser mãe galinha), se ela quiser pode claro! Na hora de ir embora temos o seguinte diálogo com ela deitada num colchão no chão, com uma almofada debaixo da cabeça, chucha na boca e óó na mão:

– Queres dormir em casa dos tios?

– Xim

– Mas a mãe e o pai não ficam cá, pode ser?

– Xim

– Ficas aqui sozinha com as primas?

– Xim

– Então nós vamos embora está bem?

– Xim

Já sem trunfos, peço-lhe um beijinho. Ela muito despachada, sem tirar a cabeça da almofada, tira a chucha e dá-me um beijo bem repenicado. Quando me levanto, diz-me xau xau e acena com a mão.

Nós viemos, só com a mais nova, que ainda não tem idade para estas festas. A sobrinha mais velha ficou feliz feliz da vida e a minha índia também. A noite correu lindamente, como seria de esperar!

Confesso que me senti muito feliz pela atitude decidida e descomprometida da minha mais velha. É tão bom saber que fica bem com quem gosta dela, é confiante e, apesar de muito apegada a nós, independente e descomplicada! É um orgulho esta minha índia mais querida. O meu coração é que abalou um bocadinho. Dou a desculpa das hormonas mas é desculpa esfarrada bem sei… Foi a sua primeira pijama party. Foi a primeira vez que quis ficar assim, sem olhar para trás. Foi a primeira vez que tomou uma decisão dela e só dela (com todas as consequências que dai poderiam vir). Está a ficar crescida a pequena, e eu tenho que aproveitar tudo ao máximo. Não tarda estas festas tornam-se recorrentes e rapidamente troca a fralda por uma mini-saia e vai ao cinema com as amigas!

Reflexão…

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Tenho reflectido muito neste ultimo trimestre de gravidez. O trabalho teve que abrandar e deu-me mais tempo para organizar a minha vida e os meus pensamentos. Tem sido muito bom e importante por as ideias no lugar antes de sermos quatro, o caos se instalar e os momentos de reflexão passarem a reposição de horas de sono!

Adoro listas. Sou fã e faço listas para tudo! Ajudam-me muito a organizar a minha cabeça e tudo aquilo que tenho e quero fazer. Esta reflexão levou-me a mais uma lista… No fundo não deixa de ser uma lista de resoluções. Não foram feitas no ano novo, mas antes do meu ano virar novo e de pernas para o ar!

Ler  e escrever mais

Cultivar mais as amizades

Conseguir uma aceitação mais profunda daquilo que sou

Educar as minhas filhas baseada na parentalidade positiva e com mindfulness (o mais possível)

Ver menos televisão (só por ver)

Ligar-me mais ao presente em cada momento e menos ao telemóvel e redes sociais (o que não é fácil para quem tem um trabalho que também depende muito disso)

Ouvir mais musica e descobrir novas bandas

Cuidar mais de mim

Pensar no meu negócio de forma mais estruturada e levá-lo mais longe

Saber dar importância e valor ao que realmente importa

O maior desafio deste ano (e o mais importante), conseguir equilibrar as emoções e o tempo entre as duas índias

É este ultimo ponto que mais me tem ocupado a mente. Imaginar como irá ser com duas filhas tão pequenas (umas vezes parece maravilhoso e outras um pequeno pesadelo). Imaginar como irá ser o pós-parto (que não foi fácil da Clara). Pensar em programas que possamos fazer os quatro no mês de Agosto. E conciliar tudo isto com as obras da casa nova para ter a certeza que não se atrasam! Valem as ajudas que sei que vou ter para me apaziguar a mente e a alma. Estamos quase a ser quatro e parece impossível que esta gravidez esteja a chegar a ao fim. Parece que foi ontem que fiz o teste e já estou quase a conhecer a minha #miniindia…

Mindfulness

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Muitas vezes preciso de escrever para guardar memórias. Nem sempre escrevo aqui, tenho um caderno guardado muito especial. Hoje apeteceu-me partilhar um pouco mais de mim e da minha familia aqui. Nem sempre é fácil este exercício de expormos certas fragilidades, certos anseios nossos…

Desde que a Clara nasceu muita coisa mudou na minha forma de estar e de ver a vida. A maternidade tem sido um ensinamento enorme e tem-me tornado, a cada dia, uma pessoa melhor. Sou uma pessoa insegura e descobri hoje que devia ter mais auto-estima. Acabei agora de ler o livro, “Educar com Mindfulness” da Mikaela Övén, que me tem ajudado a ter a consciência daquilo que quero como mãe e como pessoa para a minha familia e até para mim própria. Há uma parte do livro que fala da auto-estima da criança e da sua importância ao longo da vida, das suas causas e consequências. Foi aí que percebi aquilo que é algo que devia trabalhar mais em mim. A auto-estima é o centro do nosso ser enquanto ser estruturado, forte, consistente. A auto-estima permite-nos aceitar aquilo que de menos bom temos para conseguirmos um dia mudar. A auto-estima poupa-nos muitas frustrações, muita raiva, muito isolamento. A auto-estima é como um porto seguro dentro de nós mesmos que, apesar do medo, não nos faz vacilar quando o mundo treme e a vida nos surpreende. Descobri que afinal devia ter mais disto. Todos nós temos as nossas fragilidades e ninguém é perfeito, mas quando não as aceitamos é muito mais difícil lidar com elas. E ao ler este livro percebi isso, algo tão óbvio mas que nunca tinha racionalizado desta forma (no fundo nunca tinha pensada nessa perspectiva). Tento ao máximo dar à Clara uma educação com base na parentalidade positiva, sobre o qual tenho lido muito (e também tenho partilhado aqui), e esta forma de estar e de ver a vida tem-me ajudado muito a mim própria também, na forma como lidar comigo mesma em certas situações e até com os outros.  Uma delas é a de viver o momento em pleno, viver com a consciência do presente e aproveitá-lo ao máximo. Engraçado porque consigo fazer isto com muito mais facilidade quando brinco com a Clara. Mas na minha vida, no meu dia-a-dia, nas minhas tarefas e nos meus escapes nem sempre é fácil. E é claro há fases da vida mais difíceis que outras de sentir esta plenitude. Por isso é que a fotografia é também uma terapia para mim, porque esse é um dos momentos em que estou ali, focada, presente, entregue à máquina e ao momento, concentrada, e sabe-me tão bem. Agora o importante é conseguir pôr em prática esta forma de estar na vida em tudo o que faço, em cada momento, em cada bocadinho. Saber tirar o bom de cada pessoa com quem me cruzo e de cada momento que vivo. Fico orgulhosa quando a cada dia sinto que já conquistei mais um bocadinho desta tranquilidade e confiança na vida. Confesso que as redes sociais são o que mais me distrai neste exercício. Somos hoje vitimas de viver em rede constante e às vezes a nossa vida particular fica para segundo plano porque estamos num café a ver o instagram, a ver a vida dos outros em vez de viver a nossa! E isto parece-me um mal comum, desta sociedade…

A minha profissão de fotógrafa, requer estar sempre atendo às redes sociais, expor também a minha vida, a da minha familia e eu não sou muito boa nisso mas quando o faço, faço-o com naturalidade. Exponho aquilo com que me sinto confortável, nuns momentos falo mais, noutros menos. Mas aquilo que escrevo é sempre honesto, sincero e genuino.

A Carminho está quase a nascer e vai ser mais um desafio na minha vida. Estou confiante e feliz nuns momentos (maioria felizmente) e aterrorizada noutros. Acho que faz parte! Vai mudar muita coisa, quase tudo para melhor, assim espero.

Este ultimo mês antes de a ter nos meus braços vai ser de muita reflexão, muitas leituras, muita escrita e muito mimo à filha única. Vou começar a preparar as roupas, as malas e a casa para receber esta mini índia de braços e coração abertos <3