coração de mãe

Tenho muita dificuldade em partilhar momentos menos bons. Primeiro porque não me parece que tenha interesse para os leitores e depois porque nessa altura tenho uma necessidade de introspecçao e um certo isolamento. Preciso de estar comigo mesma, sentir, reflectir, chorar. Aos poucos e em certos momentos os problemas relativizam-se na minha cabeça e aos poucos a realidade torna-se mais feliz e calma.
Mas hoje, são 4.30 da manhã e apeteceu-me escrever, partilhar. Partilhar que férias com um recém nascido e um bebé não são pêra doce! A casa onde estamos não tem as melhores condições que ajude à logística de um mergulho de piscina, o que também não facilita!
Ao final de 1 mês de mini índia ainda tenho muito para conhecer e aprender. Sinto que sou mãe de primeira viagem outra vez. Poucas são as coisas que resultavam com a índia que resultam agora. Elas são muito diferentes e têm necessidades muito distintas. Ainda não decifrei ao certo tudo aquilo que a mini índia precisa ou gosta. A única coisa que já percebi é que as rotinas são particularmente importantes e restabelecedoras de paz para ela (e para nós).
Mas aquilo que mais me consome, é que no meio deste conhecimento e aprendizagem mútua, tenho outra bebé em casa, essa sim com necessidades bem definidas e conhecidas mas que muitas vezes não consigo suprir. Fico angústiada, sinto-me pequenina ao pé deste gigantesco mar de emoções que ela sente e revela. Tão depressa dá uma palmada como se derrete em beijinhos e abracinhos. Falta tempo de qualidade (e também quantidade) entre nós. Faltam mais mergulhos de mar como o de outro dia. Mas não consigo porque dou de mamar e nisso, ninguém me pode substituir. Dar de mamar à índia foi muito reconfortante e era um momento de muita cumplicidade entre nós. Desta vez é muito diferente. Por vezes parece só uma prisão que me obriga a mim e só a mim estar presa no tempo e abdicar de tempo com a outra filha, principalmente pela instabilidade de horários a que quer comer. Parece-me a mim que o calor não ajuda a que a fome venha a horas mais certas, mas agora, no meio do verão nada há a fazer. As cólicas (que a índia mal teve) são fortes e diárias. Chora, contorce de dores e eu impotente, muitas vezes sem conseguir ajudar. Só desajudas a que se restabeleça o equilíbrio.
Encontro-me assim nesta dualidade de sensações. Uma bebé maravilhosa para conhecer e apaparicar e uma bebé grande a pedir colo e atenção. É muito difícil estar nos dois lados. É muito difícil não perder a cabeça perante uma birra parva (daquelas que antes não existiam). É muito difícil ter discernimento quando a noite é interrompida por duas e três vezes há um mês.
Viemos de férias mas quem realmente as curte é o pai e a índia. Juntos, constroem memórias e cumplicidades e o meu tempo com ela tem que esperar. Isso parte-me o coração. Vê-los sair juntos, constantemente sem nós, e voltarem de pele salgada e pés cheios de areia e histórias para contar é doloroso. Ampara-me esta angústia a felicidade estampada no rosto de mais uma tarde feliz entre amigos em que aparentemente eu não fiz falta nenhuma. Essa falta só se revela nos abraços prolongados e espontâneos que me dá alternados com raivas e palmadas descarregadas entre mim e a irmã. Ela tem medo que alguma coisa mude (e tanto que já mudou). Dou o meu melhor para lhe amparar este medo e a fazer segura mas há momentos em que não sei se estou a conseguir. As birras intensificam, a desobediência aguça e a doçura multiplica-se. Não há coração de mãe que aguente tamanha disputa!

coracao de mae-1

34 / 52 (2016)

És a mana mais velha mais querida, mimosa e apaixonada. De vez em quando o teu braço ganha vida própria e faz uma festinha com mais vigor, mas é tudo amor!

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Feijãozinho <3

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“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

Um mergulho de mar

Ontem ao fim do dia fomos a praia com mais um casal amigo com 2 filhas exactamente da mesma idade das nossas (combinado seria impossível!). Nós mães ficámos na esplanada com as bebés e os pais foram para a beira mar com as mais velhas. Às tantas trocámos. Estive 20 min com a índia junto ao mar, brincamos na água e eu dei um mergulho. Aquela água fria no meu corpo inchado do calor foi energizante. Aqueles minutos de brincadeira só nossos, de cumplicidade só nossa foram essenciais à minha sobrevivência. Tinha saudades de brincar só com ela sem mais nada à nossa volta e estava muito sedenta de um banho de mar. É muito engraçado ver e sentir que a chegada da mini índia me aproximou ainda mais da mais velha. Temi que fosse ao contrário, temi que me rejeitasse, que ficasse zangada comigo. Mas não. Esta miúda é de uma sensibilidade e paixão fora de série. Dá-me festinhas e diz “a mãe é tão fofinha” . Dá-me abraços com tanta força e tanto amor que me comove e enche-me de beijinhos. Também tem os seus momentos de raivinha, irritação que vira furacão e leva tudo à frente!
Quando voltámos à esplanada estava instalado o caos no café com dois pais inquietos e duas bebés aos gritos. Entre areia, mochilas, miúdas encharcadas e cheias de energia, mães a dar de mamar e tralha espalhada, já ocupávamos oito mesas. O que vale é que o café estava praticamente por nossa conta!

Foi uma tarde complicada, que se resumiu a 20 minutos de prazer e felicidade suprema! Valeu por isso e temos que repetir melhorando a gestão dos timings das bebés. Estava a precisar tanto, mas tanto de um mergulho de mar como se de ópio se tratasse :)

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um mês de ti

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Meu amor,

Fazes hoje um mês e eu não sei como é possível terem passado 30 dias. Têm sido os dias mais intensos da minha vida e provavelmente por isso não percebo que o tempo não pára. A minha vida praticamente parou. És muito exigente, precisas muito de colo, sofres com calor e com cólicas e tens dificuldade em entrar em sono profundo. Tens uma irmã que ainda é um bebé e que também precisa muito de mim e do meu colo. O maior desafio tem sido gerir as vossas necessidades da melhor maneira. Não sei se o faço bem ou mal, mas sei que dou o melhor de mim. Assim que as noites não forem interrompidas de 3 em 3h e de dia consigas descansar mais profundamente, tenho a certeza que tudo se equilibrará melhor cá em casa!

A tua gravidez aconteceu sem me aperceber muito disso. Passou num ápice e nunca me consegui focar muito nela. Na brincadeira dizia que ias nascer com défice de atenção. Teorias à parte, a verdade é que muitas vezes tenho dificuldade em ir ao encontro das tuas necessidades e não sei muito bem o que fazer. Tens poucos momentos tranquilos a olhar o mundo e confesso que fazem alguma falta. Muita desta inquietude são cólicas o resto não sei. Vou continuar a tentar descodificar-te!

Tens a pele branquinha, pestanas e sobrancelhas loiras, pouco cabelo,  olhos escuros e dedos compridos. És perfeitinha, tens a boca muito desenhada e um olhar forte. Adoro as boquinhas que fazes quando estás tranquila e quando dormes. Choras alto, com vigor e a língua até treme às vezes (não estávamos habituados a isto)! Gostas de música, da espreguiçadeira, de dormir enrolada no swadle e de chucha. Detestas chuchas de silicone, barulhos repentinos e este calor.

A tua irmã adora-te. Diz a toda a hora que és muito fofinha, pega-te ao colo inumeras vezes e dá-te muitas festinhas e beijinhos. Inclui-te em todos os programas com a pergunta: a mana vai?! Ás vezes também tem os seus acessos de raiva e tenta atirar-te com qualquer coisa, roubar a chucha ou dar um festinha bem mais vigorosa. Nunca se vai deitar sem te dar um beijinho de boa noite.

Gostava de te fotografar mais e prometo que vou tentar! És o meu mundo, a mini índia que me completa e, apesar da falta de sono, me faz muito feliz. Parabéns meu amor maior!

Sempre tua,

Mãe.

33 / 52 (2016)

O disparate foi tanto (e tão silencioso) que quando olhámos para ti estavas neste estado (e a tua prima igual a ti)! Foste buscar a vassoura para ajudar a limpar o chão, cheio de terra que devia estar no canteiro.  Esta cara comprometida diz tudo. Não deu para ralhar só para rir…

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Este olhar que me fulmina, me derrete, me apaixona, me enche e me preenche.

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“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

a primeira pijama party

 

Fds Terra do Sempre e Comporta (pf)-20

No fim-de-semana passado fomos jantar a casa de uns grandes amigos. Aqueles com quem costumamos estar todas as semanas e que fazem saudades quando isso não acontece. Aqueles com quem passamos férias. Aqueles cujas filhas já são nossas sobrinhas e primas das nossas filhas. Posto isto, começa a história. No alto dos seus 4 anos acabados de fazer, a sobrinha mais velha (que adora festas) pergunta à prima mais velha (índia claro), se quer lá dormir. Eu, muito atenta, ouvi um não, o que levou à tristeza e desilusão profundas da sobrinha. Depois de mais um bocado de brincadeira (leia-se desarrumação total de um quarto), veio a correr, feliz da vida, a sobrinha mais velha a gritar: a índia disse que queria dormir cá em casa, pode? pode? Eu respondo, com um pequeno nó na garganta (fruto de ser mãe galinha), se ela quiser pode claro! Na hora de ir embora temos o seguinte diálogo com ela deitada num colchão no chão, com uma almofada debaixo da cabeça, chucha na boca e óó na mão:

– Queres dormir em casa dos tios?

– Xim

– Mas a mãe e o pai não ficam cá, pode ser?

– Xim

– Ficas aqui sozinha com as primas?

– Xim

– Então nós vamos embora está bem?

– Xim

Já sem trunfos, peço-lhe um beijinho. Ela muito despachada, sem tirar a cabeça da almofada, tira a chucha e dá-me um beijo bem repenicado. Quando me levanto, diz-me xau xau e acena com a mão.

Nós viemos, só com a mais nova, que ainda não tem idade para estas festas. A sobrinha mais velha ficou feliz feliz da vida e a minha índia também. A noite correu lindamente, como seria de esperar!

Confesso que me senti muito feliz pela atitude decidida e descomprometida da minha mais velha. É tão bom saber que fica bem com quem gosta dela, é confiante e, apesar de muito apegada a nós, independente e descomplicada! É um orgulho esta minha índia mais querida. O meu coração é que abalou um bocadinho. Dou a desculpa das hormonas mas é desculpa esfarrada bem sei… Foi a sua primeira pijama party. Foi a primeira vez que quis ficar assim, sem olhar para trás. Foi a primeira vez que tomou uma decisão dela e só dela (com todas as consequências que dai poderiam vir). Está a ficar crescida a pequena, e eu tenho que aproveitar tudo ao máximo. Não tarda estas festas tornam-se recorrentes e rapidamente troca a fralda por uma mini-saia e vai ao cinema com as amigas!

31 / 52 (2016)

A partir de agora duas índias! Vamos lá ver se consigo manter este desafio :)

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Tentamos fazer actividades divertidas nestes dias quentes! Digitinta caseira com resultados muito giros :)

Carminho na maternidade (pf)-10

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi