Dois meses

Quando soube que crescias dentro de mim tive muitos medos. Medo de não ser capaz de ser mãe de dois bebés. Medo da reacção da tua irmã mais velha. Medo de não gostar tanto de ti como gosto dela. Medo inclusivé de não sobreviver a uma vida com dois bebés e com toda a responsabilidade que isso acarreta. As hormonas fizeram o seu papel e apaziguaram os medos. Alguns ainda estão lá e possivelmente nunca vão desaparecer (mas controlados), a fazerem o seu papel na nossa vida. Hoje sei que te amo tanto como amo a tua irmã. Parecia impossível que fosse acontecer mas foi assim, o amor multiplicou-se e isso é das coisas mais fascinantes que já vivi. Não te dou a atenção que gostaria e o maior desafio é mesmo conseguir repartir-me entre as duas.

Fazes hoje dois meses. A maior diferença que sinto dos teus primeiros dois meses para os da tua irmã é a rapidez com que passaram. A ela namorei-a sozinha, com calma , com tempo. A ti namoro-te em intervalos curtos e nos entretantos do vosso namoro de irmãs. Ao mesmo tempo sinto que já nada faria sentido sem a tua existência. Sinto que estamos todos mais completos e que te conheço muito bem. Agora que a tua irmã vai para a escola vai ser mais fácil namorar-te a ti e a ela em tempos diferentes com compassos próprios. Vai-nos fazer bem a todos :)
Resumindo estes últimos dois meses, és uma texuguinha, soris muito, és tranquila e adoras mimo. Já me deixas dormir 6h de noite e mamas no máximo em 10 minutos. Adormeces sozinha na tua cama à noite mas durante o dia adoras o embalo da rua ou o som do meu coração. És muito branquinha e meia loira mas pestanas e sobrancelhas, pareces um nenuco! Gostas de dormir no swadle mas sempre com os braços de fora (e não foi fácil perceber que não gostavas de ter os bracos presos, ainda andámos em guerra!). Aguentas que nem uma valente os mimos fortes e os abracinhos pesados da tua irmã, e mesmo com tantos apertões,  soris imenso para ela. Precisas da chucha mas não a adoras e és muito esquisita com os modelos que pegas bem. Choras bem alto quando tens fome ou queres mimo, já sabes muito bem fazer-te ouvir apesar de seres a casula. És a minha mini índia e eu adorava que o tempo andasse mais devagar para vos poder aproveitar ainda mais, cada uma de vocês, devagarinho. Saborear, cheirar e olhar, como se da prova do melhor vinho se tratasse! Vocês são sem dúvida a minha melhor colheita, trazem o melhor de mim. Obrigada minhas índias <3

Minho parque marechal carmona (pf)-10

37 / 52 (2016)

Fizeste 2 anos.

Ainda não escrevi sobre isso, mas vou escrever para não esquecer.

Foram os dois anos mais incríveis da minha vida <3

37_52_2016_Clara

7 semanas.  Foram as sete semanas mais alucinantes da minha vida <3

37_52_2016_Minho

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

Intolerâncias

Hoje falo de intolerâncias. O choro e o desconforto da mini índia que nunca achei normal. Um mês e meio de desespero e angústia. Falo desta minha experiência porque podem andar por ai mães com o mesmo cenário, e porque acabou bem!

Começo pela minha tolerância ao choro. É pequena. Não a consigo deixar chorar sobretudo quando percebo que é por um desconforto, por dores, por algo que não está bem. Com tudo isto, a minha tolerância à índia diminui bastante. Está numa fase complicada, de adaptação à irmã, de birras e chamadas de atenção. Mais do que nunca precisa de mim e do meu tempo. Cansada e desgastada pelo choro da mais nova, é quase impossível ter paciência e tempo de qualidade com a mais velha. Revezamo-nos. O pai saí com a mais velha em fico em casa com a mais nova que mama de duas em duas horas. No meio disto, não há escape para mim porque numa hora e meia pouco se pode fazer. Como podem imaginar, com este cenário, cá em casa ninguém está tolerante com ninguém e todos têm razões para isso!

Depois de ter experimentado tudo aquilo de que se fala nos comentários dos grupos de mães para as cólicas e mau estar dos bebés (porque já tínhamos concluído que mimo não era o problema, eram mesmo dores e desconforto) sempre receitado pela pediatra, voltámos a questionar se não haveria mais nada a fazer. Já sei que as cólicas dos bebés são resolvidas por tentativa erro. Há ainda aqueles defensores de que é mesmo assim e com o tempo passa. Passa, mas eu é que não consigo vê-la sofrer assim e não aguento sofrer assim nem fazer sofrer assim a minha familia. Posto isto, havia mais uma gotas, gotas estas que prometiam ser milagrosas (segundo a embalagem). E foram mesmo. São gotas da enzima lactase (a enzima que digere a lactose e que muitos bebés nestas idades não têm capacidade de produzir em quantidade suficiente. Normalmente com o tempo passa, esperemos). Conclusão: A intolerância de toda a família (cada um ao seu jeito) tinha uma justificação, a intolerância à lactose da mini índia!

 

Agora tudo se alinhou, e a família retoma o equilíbrio aos poucos. A mini índia ainda chora, de mimo e de fome (e às vezes de cólicas, mas pouco), é uma bebé exigente. Continua a mamar de duas em duas horas mas eu consigo ter o escape de vir aqui escrever, de editar fotografias ou de passear pelo jardim sem gritos constantes porque ela gosta é de andar na rua. Estamos todos mais tolerantes :)

Carminho na maternidade (pf)-8

coração de mãe

Tenho muita dificuldade em partilhar momentos menos bons. Primeiro porque não me parece que tenha interesse para os leitores e depois porque nessa altura tenho uma necessidade de introspecçao e um certo isolamento. Preciso de estar comigo mesma, sentir, reflectir, chorar. Aos poucos e em certos momentos os problemas relativizam-se na minha cabeça e aos poucos a realidade torna-se mais feliz e calma.
Mas hoje, são 4.30 da manhã e apeteceu-me escrever, partilhar. Partilhar que férias com um recém nascido e um bebé não são pêra doce! A casa onde estamos não tem as melhores condições que ajude à logística de um mergulho de piscina, o que também não facilita!
Ao final de 1 mês de mini índia ainda tenho muito para conhecer e aprender. Sinto que sou mãe de primeira viagem outra vez. Poucas são as coisas que resultavam com a índia que resultam agora. Elas são muito diferentes e têm necessidades muito distintas. Ainda não decifrei ao certo tudo aquilo que a mini índia precisa ou gosta. A única coisa que já percebi é que as rotinas são particularmente importantes e restabelecedoras de paz para ela (e para nós).
Mas aquilo que mais me consome, é que no meio deste conhecimento e aprendizagem mútua, tenho outra bebé em casa, essa sim com necessidades bem definidas e conhecidas mas que muitas vezes não consigo suprir. Fico angústiada, sinto-me pequenina ao pé deste gigantesco mar de emoções que ela sente e revela. Tão depressa dá uma palmada como se derrete em beijinhos e abracinhos. Falta tempo de qualidade (e também quantidade) entre nós. Faltam mais mergulhos de mar como o de outro dia. Mas não consigo porque dou de mamar e nisso, ninguém me pode substituir. Dar de mamar à índia foi muito reconfortante e era um momento de muita cumplicidade entre nós. Desta vez é muito diferente. Por vezes parece só uma prisão que me obriga a mim e só a mim estar presa no tempo e abdicar de tempo com a outra filha, principalmente pela instabilidade de horários a que quer comer. Parece-me a mim que o calor não ajuda a que a fome venha a horas mais certas, mas agora, no meio do verão nada há a fazer. As cólicas (que a índia mal teve) são fortes e diárias. Chora, contorce de dores e eu impotente, muitas vezes sem conseguir ajudar. Só desajudas a que se restabeleça o equilíbrio.
Encontro-me assim nesta dualidade de sensações. Uma bebé maravilhosa para conhecer e apaparicar e uma bebé grande a pedir colo e atenção. É muito difícil estar nos dois lados. É muito difícil não perder a cabeça perante uma birra parva (daquelas que antes não existiam). É muito difícil ter discernimento quando a noite é interrompida por duas e três vezes há um mês.
Viemos de férias mas quem realmente as curte é o pai e a índia. Juntos, constroem memórias e cumplicidades e o meu tempo com ela tem que esperar. Isso parte-me o coração. Vê-los sair juntos, constantemente sem nós, e voltarem de pele salgada e pés cheios de areia e histórias para contar é doloroso. Ampara-me esta angústia a felicidade estampada no rosto de mais uma tarde feliz entre amigos em que aparentemente eu não fiz falta nenhuma. Essa falta só se revela nos abraços prolongados e espontâneos que me dá alternados com raivas e palmadas descarregadas entre mim e a irmã. Ela tem medo que alguma coisa mude (e tanto que já mudou). Dou o meu melhor para lhe amparar este medo e a fazer segura mas há momentos em que não sei se estou a conseguir. As birras intensificam, a desobediência aguça e a doçura multiplica-se. Não há coração de mãe que aguente tamanha disputa!

coracao de mae-1

34 / 52 (2016)

És a mana mais velha mais querida, mimosa e apaixonada. De vez em quando o teu braço ganha vida própria e faz uma festinha com mais vigor, mas é tudo amor!

34_52_2016_Clara

Feijãozinho <3

34_52_2016_Minho

“A portrait of my children, once a week, every week, in 2014.”

Inspired by jodi

Um mergulho de mar

Ontem ao fim do dia fomos a praia com mais um casal amigo com 2 filhas exactamente da mesma idade das nossas (combinado seria impossível!). Nós mães ficámos na esplanada com as bebés e os pais foram para a beira mar com as mais velhas. Às tantas trocámos. Estive 20 min com a índia junto ao mar, brincamos na água e eu dei um mergulho. Aquela água fria no meu corpo inchado do calor foi energizante. Aqueles minutos de brincadeira só nossos, de cumplicidade só nossa foram essenciais à minha sobrevivência. Tinha saudades de brincar só com ela sem mais nada à nossa volta e estava muito sedenta de um banho de mar. É muito engraçado ver e sentir que a chegada da mini índia me aproximou ainda mais da mais velha. Temi que fosse ao contrário, temi que me rejeitasse, que ficasse zangada comigo. Mas não. Esta miúda é de uma sensibilidade e paixão fora de série. Dá-me festinhas e diz “a mãe é tão fofinha” . Dá-me abraços com tanta força e tanto amor que me comove e enche-me de beijinhos. Também tem os seus momentos de raivinha, irritação que vira furacão e leva tudo à frente!
Quando voltámos à esplanada estava instalado o caos no café com dois pais inquietos e duas bebés aos gritos. Entre areia, mochilas, miúdas encharcadas e cheias de energia, mães a dar de mamar e tralha espalhada, já ocupávamos oito mesas. O que vale é que o café estava praticamente por nossa conta!

Foi uma tarde complicada, que se resumiu a 20 minutos de prazer e felicidade suprema! Valeu por isso e temos que repetir melhorando a gestão dos timings das bebés. Estava a precisar tanto, mas tanto de um mergulho de mar como se de ópio se tratasse :)

Ferias Verao Tavira 2016 (pf)-11